Waldenor Pereira
Waldenor Pereira Deputado Federal
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6/11/2012 - Conquista: Autorrenovação de um projeto político?

Por: Geraldo Reis

Os resultados das eleições do 2° turno em Salvador vêm demandando quase toda a atenção dos analistas políticos pelo Óbvio peso que tem do ponto de vista demográfico, económico, social e político. Entretanto, num momento em que o Partido dos Trabalhadores enfrenta grandes e novos desafios, considero de fundamental importância chamar a atenção para os resultados das eleições em Vitória da Conquista. Nessa cidade, o partido completou 16 anos consecutivos de gestão e caminha para mais um mandato que totalizará 20 anos. Assim sendo, cabe perguntar: quais as razões do êxito e da persistência de um projeto de poder local nesse município? Quais seriam os elementos que podem apontar para o esgotamento do mesmo? Quais as possibilidades de renovação desse projeto?

Desde o início da primeira gestão do PT, do então prefeito Guilherme Menezes (1997), hoje reeleito para um novo mandato, que o município notabilizou-se como referência na implementação de politicas públicas e boas práticas de gestão. Projetos como Conquista Criança, Banco do Povo, Grupo de Economia Popular (GEP) e prioridades para áreas como educação e saúde possibilitaram a transformação do social como um vetor de desenvolvimento económico. Outras medidas, aparentemente simples, como quebra do monopólio do transporte coletivo e implementação do orçamento participativo, ajudaram a conformar o que se acostumou denominar de modo petista de governar.

Contudo, tais conquistas passaram a fazer parte do cotidiano da população e foram internalizadas como direito, abrindo espaço para novos desejos e pleitos. Tal contexto demandou do prefeito subsequente, Zé Raimundo, uma nova inflexão na indução da estratégia de desenvolvimento, logo, novas prioridades foram acrescentadas, entre elas, elaboração do novo Plano Diretor Urbano, a modernização das grandes artérias de tráfego e a requalificação dos espaços e equipamentos urbanos – impactando na plástica e na estética da cidade.

Quando Guilherme Menezes retomou ao poder em 2009, a cidade já apresentava grandes transformações, consolidando-se como centro comercial e de serviços, atraindo riquezas e excedentes econômicos de uma vasta região, mas, também, acumulando gargalos e limitações na oferta de serviços públicos, causados, por um lado, pela limitada capacidade de arrecadação do município e, por outro, pelo crescente número de usuários. Novos agentes econômicos, novos atores sociais e novas gerações surgiram buscando seus espaços, seus diálogos e representações. Para se ter uma ideia destas transformações, basta lembrar que em 1999, inicio da série histórica, o PIB do município era de cerca de 700 milhões, com renda per capita em torno de R$ 2.700, enquanto que em 2009 o PIB chegou a 3 bilhões e 140 milhões e renda per capita de quase R$ 10 mil.

Apesar dos problemas naturais de uma cidade em crescimento e do desejo de mudança após de 16 anos de poder, Guilherme Menezes foi reeleito com relativa tranquilidade no 29 turno. Tal vitória se deu pela confiança e reconhecimento da forma transparente e ética com que o município tem sido conduzido ao longo deste período, e também porque há uma aposta no potencial de autorrenovação do projeto politico, abrindo perspectivas alvissareiras para o seu desenvolvimento.

Tais perspectivas podem ser visualizadas nos grandes investimentos que Conquista tem sido capaz de atrair, a exemplo dos 38o milhões em obras de saneamento através da Embasa, que farão com que a cidade atinja a marca de 90% de cobertura das unidades habitacionais. Outros 500 milhões investidos pelo programa Minha Casa, Minha Vida e a previsão de mais de 80 milhões para o novo aeroporto e de 90 milhões para obras de Mobilidade Urbana dentro do PAC II. Somam-se a esses aspectos os compromissos assumidos pela gestão municipal em prol da construção da Barragem do Rio Pardo e da criação da Universidade Federal do Sudoeste. Entretanto, é bom lembrar que a cidade não quer apenas endossar novas conquistas, quer construí-las coletivamente. As novas oportunidades estão postas.

* Diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI))/Texto publicado hoje em A Tarde.

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